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Teste do Pezinho completa 50 anos e se consolida como política essencial de saúde no Brasil

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Teste do Pezinho

Teste do Pezinho completa 50 anos e se consolida como política essencial de saúde no Brasil

Exame já permitiu diagnosticar precocemente milhões de recém-nascidos e segue como ferramenta decisiva no combate a doenças raras

O Brasil celebra, em 2026, os 50 anos do Teste do Pezinho, exame que se tornou uma das principais estratégias de diagnóstico precoce na saúde pública. Implementado no país em 1976 pelo Instituto Jô Clemente, o teste já possibilitou a triagem de mais de 18,7 milhões de recém-nascidos ao longo de cinco décadas.

Realizado nos primeiros dias de vida do bebê, o exame permite identificar doenças raras, genéticas, metabólicas e infecciosas antes mesmo do surgimento dos sintomas, aumentando significativamente as chances de tratamento e qualidade de vida.

Diagnóstico precoce pode evitar sequelas graves

O Teste do Pezinho é feito a partir da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, preferencialmente entre 48 horas e o quinto dia de vida. A análise permite detectar condições que, se não tratadas rapidamente, podem causar deficiência intelectual, problemas motores, baixa imunidade e até levar à morte.

Atualmente, o exame básico oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) identifica seis doenças. Já a versão ampliada pode detectar cerca de 50 condições raras e graves.

Segundo especialistas, o grande avanço do teste está justamente na possibilidade de agir antes que a doença se manifeste.

“O Teste do Pezinho representa um dos maiores avanços da prevenção da saúde. Quanto mais cedo conseguimos identificar uma condição rara, mais são as possibilidades de tratamento adequado e redução de impactos no desenvolvimento da criança”, explica Giselle Yuri Hayashi, coordenadora de laboratório do serviço de triagem neonatal do Instituto.

Ampliação do exame ainda é desafio no país

Apesar dos avanços, a ampliação do teste ainda ocorre de forma desigual no Brasil. A lei que prevê a expansão da triagem neonatal foi sancionada em 2021, mas a implementação completa segue em etapas, o que faz com que o acesso ao exame ampliado varie de acordo com a região.

Entre as doenças que podem ser identificadas nas fases mais avançadas está a Atrofia Muscular Espinhal (AME-5q), condição genética que afeta progressivamente os movimentos e a respiração.

Um projeto-piloto realizado pelo Instituto Jô Clemente em 2025, no estado de São Paulo, analisou mais de 194 mil recém-nascidos e identificou 14 casos da doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

“O diagnóstico precoce da AME-5q transforma completamente a perspectiva clínica dessas crianças. Quando identificamos a doença antes dos sintomas, conseguimos iniciar o tratamento rapidamente e evitar a progressão de danos irreversíveis”, afirma a pesquisadora Vanessa Romanelli.

Política pública com impacto direto nas famílias

Além dos avanços científicos, o Teste do Pezinho se consolidou como uma das políticas públicas mais importantes da saúde neonatal no Brasil, impactando diretamente a vida de milhares de famílias.

O Instituto Jô Clemente, responsável pela implementação do exame no país, também realiza atualmente 100% das triagens da rede pública do município de São Paulo e cerca de 68% no estado.

A história do teste está ligada ao trabalho de Dona Jô Clemente, referência na luta por inclusão e acesso à saúde no Brasil, que ajudou a transformar uma iniciativa pioneira em política pública nacional.

Acesso à informação ainda é essencial

Mesmo com a ampla adoção do exame, especialistas reforçam que o acesso à informação ainda é fundamental para garantir que todos os recém-nascidos realizem o teste dentro do período ideal.

Mais do que um procedimento médico, o Teste do Pezinho representa a possibilidade de intervir no momento certo, evitando complicações e garantindo melhores condições de desenvolvimento desde os primeiros dias de vida.

Com mais de 12 anos de experiência em comunicação, é formada em jornalismo e carrega habilidade em diversas áreas, incluindo redação, mídias digitais, produção e cobertura de eventos, além de fundadora do LazCult. Apaixonada por escrever, explorar novos aprendizados, assistir a bons filmes ou seriados e ler livros que a façam viajar sem sair do lugar.

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