Do tambor ao sistema de som: projeto no Sesc Belenzinho destaca a potência musical das periferias brasileiras
Shows, debates, cinema e oficinas reúnem artistas de diferentes regiões do país para discutir como as periferias transformam tradição, tecnologia e identidade em produção cultural.
A música produzida nas periferias brasileiras será o centro das atenções durante o mês de junho no Sesc Belenzinho. A segunda edição do projeto “Periferia – Do Tambor ao Sistema de Som” reúne shows, oficinas, exibições de filmes e bate-papos para discutir como diferentes territórios populares constroem cultura, memória e identidade por meio do som.
Mais do que uma programação musical, a iniciativa propõe uma reflexão sobre as transformações da produção artística periférica ao longo das últimas décadas. O projeto percorre caminhos que vão das tradições afro-brasileiras, representadas pelo maracatu, coco e samba, até manifestações contemporâneas ligadas às tecnologias digitais, como tecnobrega, eletromelody, trap, funk e sound systems.
A abertura acontece em 6 de junho com um cortejo comandado por Mestre Fabinho, do tradicional Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife, acompanhado pelo grupo Maracatu Ago Anama. No mesmo dia, o músico pernambucano Maciel Salú apresenta o espetáculo “Baile de Rabeca – Tudo é Amor”.
A programação também traz nomes que representam diferentes expressões culturais das quebradas brasileiras. Entre os destaques estão a Gang do Eletro, referência do eletromelody paraense; o coletivo reggae sound system África Mãe do Leão, surgido na Cohab Juscelino, na zona leste paulistana; a MC NandaTsunami, que mistura trap e funk em suas composições; além do grupo Fat Family, que leva ao palco o projeto “Baile Charme”.
Cultura periférica em debate
Além dos shows, o projeto promove discussões sobre o papel da música na construção da identidade das periferias. No dia 17 de junho, os pesquisadores Amailton Azevedo e Salloma Salomão participam do bate-papo “Do Tambor ao Sistema de Som”, abordando as conexões entre ritmos tradicionais e as novas formas de produção musical impulsionadas pela tecnologia.
A proposta é mostrar como diferentes manifestações sonoras compartilham uma mesma origem: a criatividade desenvolvida por comunidades que historicamente transformam escassez em inovação cultural.
Cinema também faz parte da programação
A relação entre periferia e produção audiovisual aparece nas sessões gratuitas de cinema. Entre os filmes exibidos estão “Antônia”, clássico dirigido por Tata Amaral sobre quatro jovens da periferia paulistana que sonham com o sucesso na música; “Motel Destino”, de Karim Aïnouz; e o documentário “Amazônia Groove”, que percorre diferentes tradições musicais da região Norte.
Oficinas e formação cultural
Quem quiser conhecer de perto a tradição do maracatu poderá participar da vivência percussiva ministrada por Mestre Fabinho. A atividade apresenta ritmos, fundamentos e narrativas que fazem parte de uma das expressões culturais mais importantes de Pernambuco.
Ao reunir artistas de diferentes regiões do país, o projeto reforça a ideia de que a periferia não é apenas espaço de consumo cultural, mas também um território de produção artística, inovação e resistência.
O projeto “Periferia – Do Tambor ao Sistema de Som” acontece entre os dias 6 e 27 de junho, no Sesc Belenzinho, com atividades gratuitas e apresentações pagas. A programação completa está disponível nos canais oficiais da unidade.



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