Paraisópolis: do sonho coletivo à transformação concreta
A história de Paraisópolis sempre foi marcada por luta, organização comunitária e sonhos coletivos. Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de acompanhar de perto esse processo — não apenas como jornalista, mas como alguém que vive o dia a dia da comunidade e testemunhou a força das lideranças locais na defesa de um futuro melhor.
Entre essas lideranças, o nome de Gilson Rodrigues se destaca. Ele sempre esteve à frente de movimentos sociais que tinham — e ainda têm — um propósito muito claro: transformar Paraisópolis em um bairro com infraestrutura de qualidade, garantindo acesso a serviços públicos essenciais como saúde, educação, moradia digna e equipamentos sociais. Não se trata de um projeto pessoal, mas de um sonho coletivo construído junto com os moradores.
Em 2019, logo após o trágico episódio conhecido como massacre do Baile da 17, quando nove jovens perderam a vida, acompanhei de perto um momento decisivo na história da comunidade. Abalados, mas mobilizados, moradores, lideranças locais e Gilson Rodrigues se reuniram com diferentes secretários do poder público para apresentar um conjunto de propostas estruturantes para Paraisópolis. Não eram apenas reivindicações pontuais: era um plano de transformação urbana, social e humana.
As reuniões foram intensas, emotivas e profundamente propositivas. Estive presente em várias delas, registrando e testemunhando a articulação que hoje se consolida como o projeto aprovado para a região. Ali nascia a semente do que hoje vemos se tornar realidade: a inclusão de Paraisópolis em um grande programa de investimentos urbanos que aponta para um futuro com mais dignidade e estrutura.
O que naquela época era sonho e projeto, hoje ganha forma concreta por meio da Operação Urbana, que prevê investimentos em infraestrutura, habitação de interesse social, unidades de saúde, escolas, mobilidade e equipamentos públicos. É o Estado chegando onde historicamente esteve ausente, impulsionado pela organização comunitária e pela insistência de quem nunca desistiu da sua própria história.
Paraisópolis sempre soube que não bastava resistir — era preciso propor, articular e construir. E foi exatamente isso que aconteceu em 2019: a dor se transformou em movimento, e o movimento se transformou em política pública. Hoje, vemos avançar um projeto que nasceu das ruas, das reuniões coletivas, das conversas com moradores e da atuação firme de lideranças como Gilson Rodrigues.
Acompanhar essa trajetória como jornalista é também reconhecer o poder da favela quando ela fala por si mesma. Paraisópolis não é problema: é potência, é projeto, é futuro. E agora, com a Operação Urbana e a articulação construída ao longo de anos, esse futuro deixa de ser promessa e passa a ser construção concreta.
Paraisópolis sempre sonhou em ser reconhecida como bairro. Hoje, podemos afirmar: o sonho está em plena realização — porque foi coletivo, porque foi luta, porque foi organizado.



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