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Paraisópolis das Artes amplia visibilidade de artistas do território com circuito cultural

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Paraisópolis das Artes amplia visibilidade de artistas do território com circuito cultural

O projeto Paraisópolis das Artes organiza, desde 2013, um roteiro cultural dentro da favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, reunindo ateliês, espaços culturais e artistas locais em visitas guiadas conduzidas por moradores. Criada por Gilson Rodrigues em 2012, a iniciativa passou a receber empresas e turistas ainda naquele ano e foi oficialmente lançada no Dia de Paraisópolis, em 2013, com o objetivo de ampliar a visibilidade da produção artística do território e enfrentar estigmas associados às favelas e periferias.

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No centro da comunidade, murais, esculturas feitas com materiais reaproveitados e construções autorais compõem o percurso apresentado aos visitantes. O circuito conecta iniciativas culturais e projetos sociais conduzidos por moradores, que compartilham suas trajetórias e processos criativos durante as visitas.

De acordo com Marco Antônio, coordenador do projeto desde 2025, a proposta busca fortalecer o reconhecimento dos artistas da comunidade e consolidar Paraisópolis como destino cultural. Segundo ele, a estruturação do roteiro ganhou impulso após a exibição da novela I Love Paraisópolis, quando parte das gravações ocorreu fora da comunidade e não contou com a participação de artistas locais no elenco. A partir desse contexto, o grupo organizou um circuito próprio, centrado nos protagonistas do território.

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Grupo em visita em na favela do Paraisópolis

O percurso inclui pontos como a Casa de Pedra, construída por Estevão Silva da Conceição, conhecido como Gaudí brasileiro, e o ateliê do artista Berbela, que produz esculturas a partir de sucata e recebe visitantes de diferentes países. Desde o início das atividades, cerca de 7 mil pessoas já participaram das visitas, entre estudantes brasileiros e estrangeiros. O projeto contabiliza visitantes de 30 países.

Além da circulação cultural, o Paraisópolis das Artes também gera impacto econômico. Parte dos recursos arrecadados com os tours é destinada aos artistas participantes, contribuindo para a manutenção dos espaços e para a geração de renda. Durante o percurso, os visitantes conhecem comércios e iniciativas locais, ampliando a rede de circulação dentro do bairro.

Festival Paraisópolis das Artes

Atualmente, o projeto ampliou sua atuação para além do roteiro cultural e passou a investir na realização do Festival Paraisópolis das Artes, iniciativa que leva o nome do circuito e tem como objetivo fortalecer as atividades culturais do território e valorizar os artistas em atuação na comunidade. A primeira edição foi realizada em 2025, reuniu mais de 50 artistas da quebrada e recebeu cerca de mil pessoas nos três dias de programação e consolidou o festival como uma nova frente de fortalecimento da iniciativa.

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Primeira edição do Festival Paraisópolis das Artes, realizada julho de 2025, no Pavilhão do G10.

Entre os próximos passos estão a ampliação do número de visitas e o fortalecimento da participação de moradores, escolas e jovens da própria comunidade. A iniciativa pretende consolidar o roteiro como instrumento permanente de valorização artística, formação cultural e desenvolvimento local em Paraisópolis.

Para acompanhar toda as ações da iniciativa, acompanhe as páginas do Instagram do G10 e Paraisópolis das Artes.

Jornalista e comunicadora popular da zona sul de São Paulo, atua no fortalecimento da comunicação periférica, com foco em cultura, juventude e direitos humanos. Desenvolve reportagens, projetos e coberturas que conectam território, memória e protagonismo das quebradas, além de criar conteúdos estratégicos para iniciativas culturais, educativas e da economia criativa. Transita entre a rua, a pesquisa e a gestão da comunicação, sempre a partir das margens.

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