O poder da rede de apoio e a força do relacionamento feminino nas comunidades
Por Fran Rodrigues
Sempre que falo sobre desenvolvimento comunitário, liderança e transformação social, eu volto ao mesmo ponto: ninguém constrói nada sozinho. A base de qualquer mudança, especialmente dentro das comunidades, é a rede de apoio.

Edição do encontro “Network das Patroas” realizada em 2025, na sede do G10 Favelas.
Quando a gente fala de rede de apoio, não estamos falando apenas de ajuda pontual. Estamos falando de presença, escuta, parceria, troca, oportunidade e construção coletiva. Estamos falando de mulheres que estendem a mão umas às outras, compartilham conhecimento, divulgam o trabalho da vizinha, indicam clientes e, principalmente, caminham juntas todos os dias.
Nas comunidades, essa rede é ainda mais significativa. Muitas mulheres acumulam múltiplas jornadas: são mães, chefes de família, cuidadoras e empreendedoras. Empreender, nesse contexto, não é apenas uma escolha, é uma estratégia de sobrevivência e de autonomia.
No Brasil, o empreendedorismo feminino tem crescido com força. Segundo o Sebrae, existem mais de 10,3 milhões de mulheres donas de negócios, e elas representavam cerca de 34% de todos os empreendedores no país, um número expressivo que vem crescendo com os anos e afirmando a importância das mulheres na economia nacional.
Essas mulheres fazem mais do que gerar renda: muitas sustentam suas famílias com seus empreendimentos, assumem o papel de provedores e fortalecem laços econômicos dentro de suas próprias comunidades e territórios.
E nos territórios populares essa presença é ainda mais marcante. Estudos apontam que até 61% dos negócios liderados em favelas brasileiras são comandados por mulheres, números que evidenciam o protagonismo feminino no ambiente econômico informal e comunitário. Outro levantamento inédito indica que 55% dos empreendedores nas favelas são mulheres, grande parte negras, atuando nos mais diversos segmentos e transformando não só suas vidas, mas toda a economia local.


Fran Rodrigues e Laíz De Montê (foto esquerda) / Mulheres reunidas no “Network das patroas”.
Empreender nesses territórios não é um caminho fácil, é um ato de resistência. São mulheres que iniciam muitas vezes seus negócios por necessidade, diante da falta de oportunidades formais, e que ainda enfrentam desigualdades de gênero, raciais, dificuldades de acesso a crédito e sobrecarga de tarefas domésticas paralelas ao trabalho.
Nesse contexto, a importância da rede de apoio e da sororidade entre mulheres não pode ser subestimada. Quando as mulheres se conectam, compartilham oportunidades e se fortalecem mutuamente, estamos tecendo um novo tecido social, um tecido que impulsiona não apenas negócios, mas também autoestima, protagonismo e esperança.
Uma das iniciativas que têm fortalecido mulheres empreendedoras é o movimento Empodera Ela, um espaço que valoriza, exibe e coloca em evidência os produtos e serviços de mulheres empreendedoras. É um lugar de visibilidade, de geração de renda e de fortalecimento de trajetórias. É um símbolo claro de que, quando organizamos a força feminina em rede, conseguimos transformar realidades.
E essa transformação se amplia ainda mais quando há parcerias estruturadas com associações que representam e apoiam mulheres nos territórios. Em Paraisópolis, a parceria com a Associação das Mulheres de Paraisópolis tem sido fundamental para capacitar, orientar e impulsionar as empreendedoras locais. Essa colaboração fortalece as iniciativas existentes e cria um efeito multiplicador: conhecimento se compartilha, oportunidades se expandem e o impacto social se intensifica.
Realizado no Hub do G10 Favelas em São Paulo, outro movimento que também tem buscado fortalecer redes de apoio feminino é o movimento networking das Patroas, cuja segunda edição acontece no dia 20 de março. O encontro reúne mulheres empreendedoras que buscam conectar, aprender e fazer negócios.
Eu acredito profundamente que o futuro das comunidades passa pelo fortalecimento dessas redes. Mulheres conectadas geram impacto social, econômico e emocional. Elas criam soluções, lideram movimentos e transformam realidades.
E quanto mais fortalecemos esses laços, mais mostramos que o verdadeiro poder não está apenas na liderança individual, mas na capacidade de caminhar juntas.
Porque, no fim das contas, rede de apoio é isso: é saber que você não está sozinha — e que juntas, somos muito mais fortes.



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