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Gilson Rodrigues: da favela ao protagonismo na construção de uma cidade mais justa

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Gilson Rodrigues: da favela ao protagonismo na construção de uma cidade mais justa

A história de Paraisópolis se confunde com a trajetória de Gilson Rodrigues, uma das principais lideranças comunitárias do Brasil. Fundador do G10 Favelas, e da Academia da Prosperidade e da Vida, Gilson é referência nacional e internacional quando o tema é desenvolvimento social, urbanização participativa e protagonismo periférico.

Gilson revisitou sua caminhada pessoal e política, destacando marcos que ajudaram a transformar Paraisópolis, hoje, uma das maiores de São Paulo, em um território reconhecido por sua potência social, cultural e econômica.

O início de uma nova história em Paraisópolis

Em 2001, Paraisópolis começou a viver um novo capítulo. Naquele período, Gilson Rodrigues atuava como guia turístico da comunidade, apresentando o território a visitantes, pesquisadores e lideranças externas. A vivência diária e o contato direto com as desigualdades estruturais despertaram nele a convicção de que a favela precisava ser vista para além dos estigmas da violência e da exclusão.

Essa percepção se consolidou em 2008, quando Gilson foi eleito prefeito de Paraisópolis, em um processo democrático conduzido pelos próprios moradores da comunidade da zona sul de São Paulo. A eleição representou um divisor de águas na forma de organização local e no diálogo com o poder público.

Urbanização construída com o povo

À frente da liderança comunitária, Gilson se destacou por defender um modelo de urbanização participativa, no qual moradores, arquitetos, urbanistas e gestores públicos constroem juntos as soluções para o território. Para ele, projetos não podem ser impostos de fora para dentro, mas precisam respeitar a realidade, os limites e os sonhos da comunidade.

Esse pensamento contribuiu diretamente para o avanço de políticas públicas em Paraisópolis, com a ampliação de equipamentos sociais, unidades habitacionais e espaços coletivos. Um dos símbolos desse processo é o CEU Paraisópolis, construído em uma área que antes funcionava como lixão, após um rigoroso processo de descontaminação do solo.

Outro marco histórico foi a chegada da primeira unidade das Casas Bahia instalada dentro de uma comunidade no Brasil, evidenciando a força econômica da favela e rompendo paradigmas sobre consumo, mercado e periferia.

Monotrilho: mobilidade como direito e conquista popular

A trajetória de Gilson Rodrigues também é marcada pela luta histórica pela implantação do monotrilho na região do Paraisópolis e Morumbi. Durante décadas, moradores enfrentaram o isolamento urbano, com deslocamentos que chegavam a levar até três horas para acessar outras regiões da cidade.

À frente de manifestações, audiências públicas e articulações políticas, Gilson ajudou a transformar a mobilidade em uma pauta central do território. Para ele, o monotrilho vai além de uma obra de infraestrutura: representa direito à cidade, acesso ao trabalho, à educação e à dignidade.

A mobilização coletiva consolidou o monotrilho como uma conquista do povo de Paraisópolis, resultado de anos de organização popular, união de forças e pressão social. O avanço do projeto simboliza o rompimento com a lógica histórica de isolamento da favela e reforça a integração urbana da região.

Saúde, dignidade e cuidado com a vida

Gilson também reforçou a importância da luta por equipamentos públicos de saúde. Gilson ressaltou que, apesar dos avanços com a implantação de três Unidades Básicas de Saúde, Paraisópolis enfrenta hoje uma demanda urgente: a construção de uma maternidade, fundamental para garantir cuidado adequado às gestantes da comunidade.

A reivindicação se justifica pela realidade local: cerca de 1.200 crianças nascem todos os anos em Paraisópolis, e muitas mães enfrentam uma peregrinação por hospitais fora da comunidade em busca de atendimento humanizado.

Da invisibilidade ao protagonismo

Gilson relembrou ainda um período em que Paraisópolis vivia sob forte controle territorial, medo e restrições de circulação. Com o tempo, a associação de moradores passou por um processo de transformação, abrindo espaço para jovens, projetos culturais, educação e novas lideranças.

A mudança de narrativa ganhou projeção nacional com a novela “I Love Paraisópolis”, da TV Globo. Segundo Gilson, o nome da produção foi escolhido por incentivo dele, como forma de reforçar que a favela também é espaço de amor, cultura, família e pertencimento.

Família, valores e legado

Para além das obras e projetos, Gilson faz questão de destacar o legado humano. Durante a entrevista, falou sobre a importância de transmitir valores, aprendizado e compromisso social aos filhos, Vinícius e Eduardo, reafirmando que a transformação começa dentro de casa.

Um exemplo que inspira o Brasil

Com a criação do G10 Favelas, Paraisópolis se consolidou como referência nacional em articulação comunitária. O movimento conecta lideranças de favelas de todo o país, empresários, artistas e instituições, defendendo a ideia de que não existe cidade rica com favela pobre.

A trajetória de Gilson Rodrigues mostra que a favela não é ausência, é potência. Quando o povo se organiza, constrói coletivamente e ocupa os espaços de decisão, não apenas o território muda, a cidade inteira se transforma.

“A transformação social começa quando deixamos de esperar e começamos a construir. Quando a comunidade assume seu protagonismo, se organiza e participa das decisões, ela deixa de ser espectadora da própria história e passa a ser autora do seu futuro”, afirma Gilson Rodrigues.

Jornalista formado pela UNINOVE, com experiência em assessoria de imprensa e atuação na área de comunicação. Especialista em Marketing Digital, Marketing Corporativo e Marketing Pessoal pela UAM, também possui formação em escrita criativa pela PUC-RS, destacando-se pela habilidade em criar conteúdos estratégicos e narrativas inovadoras.

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