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Ato do 8M em São Paulo reúne mulheres contra violência de gênero e jornada 6×1

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Ato do 8M em São Paulo reúne mulheres contra violência de gênero e jornada 6×1

Mulheres de diferentes regiões da capital paulista participaram, neste domingo, 8 de março, de mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher. Na Avenida Paulista, no centro da cidade, o ato reuniu coletivos feministas, trabalhadoras, movimentos sociais e organizações sindicais em defesa do fim da violência de gênero e pela redução da jornada de trabalho no Brasil.

Entre as pautas levantadas durante a manifestação esteve o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que trabalhadores atuam seis dias seguidos e descansam apenas um. O tema ganhou força no debate público após a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe a redução da jornada semanal para até 36 horas, com o objetivo de ampliar a qualidade de vida e reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores.

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Durante o ato, manifestantes destacaram que a organização atual do trabalho impacta de forma mais intensa a vida das mulheres. Além do emprego formal, grande parte delas acumula tarefas domésticas e de cuidado, formando o que movimentos feministas e sindicais definem como dupla jornada.

Dados de pesquisas recentes indicam que homens dedicam cerca de 11 horas semanais aos afazeres domésticos, enquanto as mulheres chegam a dedicar, em média, 17 horas e 48 minutos por semana. Quando somadas às horas do trabalho remunerado, a carga total de atividades pode alcançar cerca de 11 horas por dia.

A discussão sobre a escala 6×1 também envolve setores da economia com grande presença feminina. No setor de telemarketing, por exemplo, as mulheres representam cerca de 72% da força de trabalho. No comércio e nos serviços, elas correspondem a aproximadamente 50% dos vendedores e 61,5% dos trabalhadores.

Caso a proposta de redução da jornada para 36 horas semanais seja aprovada, estimativas apontam que cerca de 35,5% das mulheres ocupadas no país seriam diretamente beneficiadas. Se o limite fosse fixado em 40 horas semanais, o impacto seria menor, alcançando cerca de 19,7% das trabalhadoras.

Durante a mobilização, a pauta trabalhista foi associada ao debate sobre violência de gênero. Manifestantes argumentaram que a sobrecarga de trabalho, a falta de tempo para cuidados pessoais e o desgaste físico e emocional fazem parte de um conjunto de desigualdades que atravessam a vida das mulheres.

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Outro tema lembrado no ato foi a eficácia das medidas protetivas de urgência para mulheres em situação de violência. Estudos indicam que, em um levantamento realizado em 16 estados brasileiros, cerca de 13,1% das vítimas de feminicídio possuíam medida protetiva ativa no momento do crime.

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Em São Paulo, esse índice chega a 21,7%, indicando desafios na fiscalização e no acompanhamento das medidas. Os dados também mostram que 86,9% das vítimas de feminicídio no país não possuíam medida protetiva no momento da morte, o que evidencia dificuldades de acesso à rede de proteção e aos mecanismos de denúncia.

Mobilização nas periferias

Além do ato na região central, mulheres da zona sul de São Paulo também realizaram mobilizações ao longo do dia. No Capão Redondo, trabalhadoras, lideranças comunitárias e coletivos femininos se reuniram para denunciar a violência que atinge mulheres periféricas e reivindicar políticas públicas voltadas à proteção desses territórios.

Durante o encontro, mulheres negras e lésbicas destacaram a necessidade de ampliar o debate sobre a violência do Estado contra corpos periféricos e racializados, além de cobrar medidas que garantam segurança, dignidade e direito à existência.

Levantamentos nacionais indicam que a violência de gênero no Brasil possui um forte recorte racial. Entre 2021 e 2024, cerca de 62,6% das vítimas de feminicídio eram mulheres negras, enquanto mulheres brancas representavam aproximadamente 36,8% dos casos.

Participantes do encontro também levantaram pautas relacionadas ao cotidiano das mulheres nas periferias, como mobilidade urbana, segurança para crianças e adolescentes, acesso à fé e à espiritualidade, além do fortalecimento de redes comunitárias de cuidado.

Para as participantes das mobilizações, a ampliação da rede de proteção, o fortalecimento das políticas públicas e mudanças nas condições de trabalho são parte das reivindicações centrais para garantir direitos e qualidade de vida às mulheres.

Jornalista e comunicadora popular da zona sul de São Paulo, atua no fortalecimento da comunicação periférica, com foco em cultura, juventude e direitos humanos. Desenvolve reportagens, projetos e coberturas que conectam território, memória e protagonismo das quebradas, além de criar conteúdos estratégicos para iniciativas culturais, educativas e da economia criativa. Transita entre a rua, a pesquisa e a gestão da comunicação, sempre a partir das margens.

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