A Literatura Periférica fala sobre afeto na Bienal do Livro
Jairo Pereira participou do Sarau Flores da Batalha e falou sobre seu livro “Afagos e Afins”
A Literatura Periférica tem entre suas principais características a representação das realidades sociais vivenciadas nas comunidades. Temas como violência, racismo, desigualdade socioeconômica e outras formas de vulnerabilidade aparecem com frequência nas obras, contribuindo para ampliar a visibilidade de problemas que fazem parte do cotidiano de grande parcela da população.
Desta vez, falaremos sobre amor. Ou melhor, sobre Afagos e Afins, título da obra do autor Jairo Pereira, lançada em fevereiro de 2026 pela Editora Global.
Jairo participou do Sarau Flores da Batalha, mediado pelo poeta e autor Sérgio Vaz, que aconteceu no dia 10 de setembro, na Arena Cultural da 28ª Bienal Internacional do Livro.
Em entrevista ao Potência Periférica, Jairo compartilhou sua experiência participando pela primeira vez da Bienal, dividindo o palco do maior evento literário da América Latina com outros nomes da Literatura Periférica, como Sérgio Vaz, Raquel Almeida e Elizandra Souza, entre outros.
A participação na Arena Cultural
No palco, Jairo teve a oportunidade de apresentar suas poesias da forma como elas nasceram: na oralidade.
“No evento de hoje eu pude ‘falar’ as minhas poesias, assim como elas nasceram, na oralidade. Isso pra mim é mágico!”, contou.
A participação também trouxe uma lembrança pessoal. Em outra ocasião, Jairo esteve na Bienal com a filha, andando pelos corredores. Desta vez, voltou ao evento levando consigo um livro que nasceu naquele mesmo ano.
“Uma experiência única! A última vez estava com a minha filha andando pelos corredores, e hoje tá aqui com meu livro que nasceu esse ano tem uma importância absurda…”
O livro Afagos e Afins: da ideia à materialização
Afagos e Afins é uma coletânea de poesias que Jairo escreve desde 2004, com um recorte específico no afeto. O livro, no entanto, passou cerca de dez anos guardado antes de chegar ao público.
“Tem dez anos que esse livro tava na gaveta, isso tem a ver com questões de estrutura, mas estrutura interna, do autor”, explicou.
Jairo também fala sobre o tempo que levou para acreditar que seu trabalho poderia ser necessário para outras pessoas. “Eu levei um bom tempo pra acreditar que um livro meu seria necessário pro mundo.”
Todos nós conhecemos pessoas brilhantes, com ideias brilhantes, mas que muitas vezes são deixadas de lado por falta de incentivo, investimento e até mesmo pela autoestima, como Jairo mesmo cita:
“É aquela coisa de você olhar, escrever suas ‘parada’, tem um monte de coisas escritas, mas aí você chega e fala: ‘Por que vão querer ver isso?’ É uma parada que tem a ver com a nossa autoestima.”
Afagos e Afins
Jairo Pereira, multiartista, um homem preto, letrado nas questões raciais, entendeu a necessidade dentro da nossa sociedade de expressar-se abertamente, por meio da poesia, sobre o afeto.
“Se fala muito do amor na nossa sociedade, no lugar romântico. Mas pouco se fala do amor no lugar do acolhimento, no momento da vulnerabilidade…”
Acaba sendo comum entre autores e artistas independentes, no geral, este questionamento: Por que vão querer ver isso?
A resposta desse questionamento interno, que surge em algum momento da trajetória artística, aparece quando o trabalho é visto pelo mundo, ganha alcance e visibilidade e recebe reconhecimento.
A resposta está nas fotografias, na admiração do público, no reconhecimento do trabalho, na expressão e no olhar de cada um que esteve no Sarau e na sessão de autógrafos que aconteceu no estande da Editora Global.
A Literatura Periférica e os autores negros na Bienal
Para Jairo, estar na Bienal ao lado de outros autores negros e periféricos também representa um momento importante de ocupação.
“Pra mim é uma felicidade enorme ver vários companheirxs lançando seus livros, editando seus livros… O povo preto, o povo periférico tá aqui. É uma realização muito grande fazer parte desse momento, onde a gente tá fazendo uma revolução.”
Como dizem os ditos BlackPanterianos, em referência ao movimento negro Black Panther: A revolução não será televisionada.
A literatura também aparece, para Jairo, como uma forma de fomentar novos imaginários e promover mudanças. “A gente tá entrando pela literatura, pela escrita, a gente tá fomentando o imaginário. Isso é uma revolução gigantesca!”
A revolução está nos livros, nas bibliotecas, nas leituras, nas escritas. E como diz Sérgio Vaz: Vida Loka é quem estuda.
Ver o movimento de Literatura Periférica adentrando e ocupando espaços é uma realização, não só para autores, mas para todo o público que acompanha e se identifica com a Literatura Periférica.



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