Rede de empreendedorismo feminino fortalece mulheres em Paraisópolis
Networking das Patroas conecta empresárias e microempreendedoras das periferias com proposta de crescimento e desenvolvimento de mulheres
Em um cenário onde o empreendedorismo feminino cresce de forma significativa no Brasil, especialmente nas periferias, iniciativas que promovem conexão, formação e visibilidade tornam-se fundamentais para gerar transformação real. É nesse contexto que o Networking das Patroas, realizado no G10 Favelas, vem se consolidando como uma potente rede de apoio entre mulheres empreendedoras.
Com duas edições realizadas, o projeto já demonstra seu impacto ao reunir dezenas de mulheres, fortalecer negócios locais e incentivar a construção de uma rede colaborativa que ultrapassa os encontros presenciais, criando vínculos duradouros e oportunidades concretas.
Empreendedorismo feminino: um cenário em crescimento
De acordo com dados do Sebrae, as mulheres representam cerca de 34% dos empreendedores no Brasil, sendo que uma parcela significativa está nas periferias, muitas vezes empreendendo por necessidade e enfrentando desafios como acesso a crédito, capacitação e redes de contato.
Ainda segundo levantamentos recentes, mulheres empreendedoras acumulam múltiplas funções, sendo responsáveis não apenas pelos negócios, mas também pela gestão da casa e da família. Esse cenário reforça a importância de espaços como o Networking das Patroas, que promovem troca de experiências, apoio emocional e estratégias de crescimento, elementos essenciais para a sustentabilidade desses negócios.
Primeira edição: conexão, inspiração e protagonismo
A primeira edição do Networking das Patroas, realizada no dia 28 de novembro do ano passado, marcou o início dessa rede e já evidenciou a força do empreendedorismo feminino nas periferias. Com foco em inspiração e troca de vivências, o encontro reuniu mulheres de diferentes áreas que compartilharam suas trajetórias no empreendedorismo.

Foto: Lucas Coruja. Primeira edição do Networking das Patroas, com Fran Rodrigues e Laíz Monteê na imagem.
Participaram nomes como Laíz De Monteê, empresária e influenciadora baiana, Flavia Rodrigues, presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, Maria Paz, da Rede Budha Spa, Paula Esteves, fundadora da Worklover, Juliana da Costa, proprietária da Gastrô Favela e Rejane Santos, fundadora da Emprega Co.. O evento foi construído como um espaço de escuta ativa, onde histórias reais geraram identificação imediata entre as participantes.
O impacto da primeira edição foi significativo. Além de reunir mulheres com diferentes experiências e áreas de atuação, o encontro proporcionou:
- Ampliação de redes de contato entre empreendedoras
- Troca prática de conhecimentos e estratégias de negócio
- Geração de conexões que se estenderam para além do evento
- Fortalecimento da autoestima e do senso de pertencimento
- Visibilidade para negócios periféricos liderados por mulheres
Muitas participantes relataram que o evento foi o primeiro espaço onde puderam compartilhar suas vivências de forma aberta, encontrando apoio, identificação e incentivo para continuar empreendendo.
O ambiente de acolhimento e fortalecimento criado durante o encontro contribuiu diretamente para que novas ideias surgissem, parcerias fossem iniciadas e, principalmente, para que as participantes se reconhecessem como protagonistas de suas próprias histórias.
O sucesso da primeira edição não apenas validou a proposta do projeto, como também evidenciou a necessidade de continuidade e expansão da iniciativa, consolidando o Networking das Patroas como um espaço estratégico dentro do ecossistema de empreendedorismo periférico.
Segunda edição: consolidação e ampliação da rede

Foto: Danielly Tito. Segunda edição do Networking das Patroas, com Fran Rodrigues, Bea Faes, Viviane Mata e Priscila Magnani na imagem.
A segunda edição aconteceu no dia 20 de março deste ano, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, uma das maiores comunidades do país e referência em organização social e empreendedorismo periférico.
Realizado no espaço do G10 Favelas, o encontro reuniu empreendedoras, influenciadoras, comunicadoras e lideranças femininas, ampliando o alcance e a diversidade do evento.
Entre as participantes, estiveram Bea Faes e Laíz De Monteê, que compartilharam experiências práticas sobre comunicação, posicionamento e crescimento no mercado, trazendo ainda mais direcionamento estratégico para as empreendedoras presentes.
Além das palestras, a programação incluiu momentos de networking ativo, onde as participantes puderam apresentar seus negócios, trocar contatos e iniciar parcerias, um dos principais diferenciais da iniciativa.
A segunda edição consolidou o que já havia sido construído anteriormente: uma rede viva, em expansão, baseada na colaboração, no apoio mútuo e na construção coletiva de oportunidades.
A força da conexão entre mulheres
Para Fran Rodrigues, coordenadora do G10 Favelas São Paulo e fundadora do Networking das Patroas, o projeto nasce da necessidade de criar uma rede contínua de apoio.
“O Networking das Patroas é um encontro que reúne mulheres empreendedoras e, principalmente, mulheres que querem ver outras mulheres crescerem que desejam compartilhar, trocar experiências e se fortalecer coletivamente. Realizar esse encontro no G10 Favelas, em São Paulo, que hoje é um importante hub de empreendedorismo e impacto social, potencializa ainda mais esse movimento ao conectar empreendedoras periféricas, apoiadores, parceiros e projetos.
Estamos construindo uma rede de relacionamento onde essas mulheres também se tornam conselheiras umas das outras, contribuindo ativamente para a transformação de outras mulheres. Essa rede feminina é essencial, porque, no fim, é uma mulher ajudando a outra a crescer”, afirma.
A proposta é transformar participantes em multiplicadoras, criando uma rede que cresce de forma orgânica e colaborativa.
Desafios reais e aprendizados compartilhados
Durante as duas edições, um dos pontos centrais foi a troca sobre os desafios do empreendedorismo feminino.

Foto: Danielly Tito. Registro do um encontro do Networking das Patroas, com mulheres reunidas.
A advogada Priscila Magnani destacou a sobrecarga enfrentada por muitas mulheres:
“Eu falo que a gente é mãe, mulher, empreendedora, filha, esposa, dona de casa… tem hora que você fala: onde eu fico? Delegar é importante porque cada um tem sua função. Quem faz tudo não faz nada. E uma coisa que tenho aprendido é que, até para se vender, a gente precisa ser mais específico.”
Já Rosi Queiroz, coordenadora do G10 Favelas e membro do conselho do Networking das Patroas, trouxe uma reflexão estratégica sobre persistência:
“Muitas vezes você acha que está no caminho errado, mas é como o Waze: ele não diz que você errou, ele recalcula a rota. E é isso que precisamos fazer. Recalcular e seguir. Nenhuma mulher soltando a mão da outra.”
Empoderamento feminino como transformação estrutural
Viviane Mata conselheira do Networking das Patroas reforçou o impacto social da iniciativa:
“A gente sabe que empoderar a periferia é fazer mudança estrutural, e a gente tem que empoderar cada vez mais mulheres que empreendem, porque elas têm um poder de transformação gigantesco. Essa iniciativa, caminhada pela Fran, tem um grande potencial e é uma grande honra fazer parte deste momento que vai, com certeza, crescer e marcar a história dessas mulheres.”
Como educadora, ela também destacou sua experiência em Paraisópolis:
Impacto e próximos passos
Com duas edições realizadas, o Networking das Patroas já demonstra resultados importantes:
- Fortalecimento de redes de contato entre mulheres empreendedoras
- Geração de oportunidades de parceria e visibilidade
- Incentivo à autonomia financeira feminina
- Criação de um espaço seguro de troca e aprendizado
- Consolidação de uma rede de apoio contínua
A expectativa é que o projeto continue crescendo, alcançando novas participantes e ampliando seu impacto dentro e fora das periferias.
Quando mulheres se conectam, o impacto é coletivo
O Networking das Patroas mostra, na prática, que o empreendedorismo feminino vai além do negócio, ele é ferramenta de transformação social.
Ao reunir mulheres, compartilhar experiências e criar oportunidades, o projeto reforça uma verdade simples e poderosa: quando uma mulher cresce, ela puxa outras consigo.
E é justamente essa rede, construída com troca, apoio e conexão, que tem potencial para transformar realidades de forma duradoura.



Publicar comentário